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Hobby: encontre o seu

Hobby: encontre o seu

De culinária a fotografia, atividades podem virar lazer sem gastar muito dinheiro ou tempo; profissionais ministram cursos e oferecem consultoria para quem quer descobrir talentos

 

Reservar um tempo para si em meio a tantas obrigações não é luxo, é necessidade. Sabe disso quem tem ou encontrou um passatempo que funciona como fonte de renovação, e com isso poder ter o bom humor aflorado, relaxamento mais frequente e a criatividade aguçada.

Se essas razões não parecem o bastante para provocar o desejo de encontrar um hobby, um estudo de pesquisadores norte-americanos da Universidade Estadual de São Francisco, divulgado há três anos, pode despertar o interesse dos mais resistentes. Publicado no Journal of Occupational and Organizational Psychology, o estudo mostra que atividades sem relação com o trabalho, praticadas por lazer, podem aumentar o desempenho de profissionais no expediente. De acordo com a pesquisa, os entrevistados que praticavam um hobby tiveram desempenho de 15% a 30% maior.

Que tal virar enólogo, voluntário, fotógrafo, confeiteiro, grafiteiro, decorador, atleta ou artesão por puro prazer? O site notsoboringlife.com (em inglês), para os mais curiosos, traz sugestões que podem combinar mais ou menos com cada pessoa, inclusive uma lista com os hobbies praticados por cem famosos internacionais.

Dentre as práticas com grande potencial para virar uma paixão está uma que sequer exige que as pessoas saiam de suas casas, ou melhor, de suas cozinhas. “Cozinhar é oferecer ao próximo uma obra sua, que você pôs sua mão, seu carinho. E fazer algo que ninguém está te obrigando é recompensador”, destaca a chef, culinarista e consultora Luciana Haddad, que há dois anos abriu a LH Cursos de Culinária, com cursos a partir de R$ 70. Os cursos são objetivos e duram, geralmente, algumas horas ou um dia em um fim de semana. “As pessoas queriam cozinhar e degustar em suas casas, em ambientes informais, aquilo que encontram num bom restaurante. Se o objetivo é fazer cozinha italiana, no curso o aluno vai aprender como se faz um molho bechamel, massa branca e verde, canelone, ravióli. É um curso para aprender a fazer uma receita bem-feita”, diz Luciana.

Outras opções são os cursos de pratos fitness e sem glúten, sem lactose, peixes, receitas lowcarb, cozinha japonesa, hambúrguer, culinária italiana e finger foods (estes também atraem profissionais). O campeão de inscrições, no entanto, é o curso de confeitaria. “Costumo dizer que o açúcar une as pessoas”, brinca Luciana, que também oferece cursos na área funcional e está lançando com o irmão, o médico João Haddad, um DVD sobre o tema.

Com exceção da faixa etária, que varia dos 25 aos 65 anos, o perfil dos alunos de Luciana é parecido: dois terços são mulheres e a maioria é casada. Apesar de haver cursos que atraem mais os homens, como o de churrasco.

Como a escola funciona na casa da professora, o ambiente contribui para uma experiência com um ‘que’ de intimismo, tão prezado pelos alunos – a chef também ministra cursos fora da cidade. Segundo ela, sem pressão ou formalidades de um curso para formar profissionais, muitos alunos conseguem aproveitar ao máximo os ensinamentos e uma parte volta a se inscrever para novos cursos.

“Sem querer”

Dance bem, mal e até sem saber dançar. As frases que formam versos de Dancing Days, de As Frenéticas, remontam a ideia de que o simples ato de dançar faz bem. E se a experiência pode ser positiva, por que não fazer dela um hábito? “Tive alunos que disseram que só fariam aula se não fossem obrigados a participar de apresentações, mas acabaram mudando de ideia. A apresentação é o ápice do trabalho, o reconhecimento de todo o esforço. Temos alunos que se encantam com a dança e a observam como arte, principalmente quando propomos apresentações no teatro”, diz a sócia e professora do estúdio Aéreofitness Karenn Ticianel.

Para quem tem medo de se soltar, Karenn faz um questionamento. “Na primeira aula de língua estrangeira você sai falando fluente? Se todos soubessem dançar, perderia meu emprego”, brinca.

Na Aéreofitness há atividades circenses e vivências com lira e trapézio fixo, balé clássico, clip dance (coreografias dos videoclipes), danças de salão e de sertanejo universitário, dança do ventre, urbana (street dance), fit balé (balé com ginástica e músicas pop), aula de flexibilidade, pole dance fitness feminino (acrobacias com barra vertical) e stiletto (dança com salto alto).

Segundo Karenn, as maiores turmas são as de atividades circenses, fit balé e danças de salão. “Na turma de dança de salão temos casais, pai e filha, noivos. O sertanejo universitário é mais procurado pelos solteiros. Nas turmas de atividades circenses, balé e fit balé temos desde crianças a pessoas com mais 60. No pole dance temos uma aluna com mais de 60. É só ter vontade, experimentar e se superar. Há alunos que contam que quando entram na sala esquecem os problemas e aproveitam o momento como se fosse único”.

Estilo

A consultora de moda Michelle Valêncio, que também é personal stylist, conta que muitas clientes ficam tão encantadas ao descobrir as possibilidades de looks que tinham no guarda-roupa e ao conhecer técnicas para equilibrar a silhueta que dizem se redescobrir. A sensação, prazerosa, acaba por tornar o ato de vestir-se bem um hábito em alguns casos. “Muitas clientes ficam bastante interessadas, pesquisam sobre o tema e acabam criando um ‘arsenal’ pessoal. Se vestir é o ato diário de colorir a alma”, diz.

Ela própria, fisioterapeuta de formação, tornou o interesse pelo universo da moda um hobby há alguns anos. Só mais tarde o hábito daria origem à atual profissão. “Mantinha um blog, gostava do tema e os amigos começaram a incentivar. Fiz vários cursos para hoje atuar na área”, conta.

Hoje, os clientes que atende como personal stylist são principalmente mulheres, das classes A e B, geralmente com mais de 30 anos. Michelle conta que parte procura os serviços com uma reclamação comum: ‘não sei como me vestir’. “Ajudamos a cliente entender a imagem que pretende passar e se essa imagem tem a ver com o estilo dela. Para isso, aplicamos vários testes. O primeiro passo, é ajudar a se conhecer”.

Em um dos pacotes oferecidos pela consultora a cliente recebe um lookbook com as possibilidades de combinações das peças que tem no armário. “A maioria segue o caminho e se diverte escolhendo como vai se vestir, porque percebe o quanto isso é útil. E quem vai mais a fundo pode até acabar virando uma profissional da área, como eu”, comenta Michelle.

O melhor ângulo

Quando o assunto é hobby, fotografar está entre os mais comuns. Mas se a desculpa é a falta de dinheiro ou de interesse em investir em equipados, está na hora de mudar ideia. Pelo menos é o que defende o fotógrafo João Vitor Polidoro. Com o celular é possível fazer fotos incríveis, bastando dedicação e aplicação de técnicas.

Sócio da Nati & João Contadores de Histórias, Polidoro oferece já há dois anos um curso de fotografia para amadores. E o melhor, de graça. “Nas aulas falo como é possível usar a fotografia em tudo, e que o equipamento é ‘irrelevante’”, diz.

Evangélico, ele venceu o desafio de se tornar um ministrador, contou com a ajuda de professores, planejou as aulas e conseguiu colocá-las em prática. A cada edição cerca de 30 pessoas aprendem mais sobre como fotografar. “Temos maquiadoras, donas de casa, pais. Eles ficam impressionados ao descobrir que podem fazer fotos usando um celular”, diz.

O curso é realizado em dez encontros, em um prédio cedido pela igreja que Polidoro faz parte. “Quando focamos em composição, conseguimos fazer uma foto bem enquadrada com qualquer tipo de equipamento. Você pode perder em qualidade de resolução, mas a fotografia vai ser boa, dependendo do seu olhar”.

Orgulhoso, Polidoro relata que alguns alunos têm feito fotos incríveis. Um deles, um aposentado, até comprou um celular melhor para fotografar as bicicletas antigas. Outra aluna agora é a preferida para fazer os registros de família, já que aprendeu a ‘flagrar’ bons momentos, deixando de lado os pedidos incansáveis para poses. “Fotografar é uma prática que preenche a alma e que recompensa, principalmente quando alguma imagem é elogiada”, frisa Polidoro.