Economia

Muito mais que calçada e estacionamento

Calçadas bem-cuidadas, bancos para uso coletivo, ombrelones, deques e um bom paisagismo podem atrair clientes e ajudar a aumentar o tempo de permanência no estabelecimento

 

Mesas bem-dispostas, cardápio para agradar a vários paladares, ombrelones e um espaço externo que é um convite a momentos de convivência e de gastronomia. A travessa Jorge Amado, que fica na lateral do Mercadão de Maringá, reúne isso e mais um pouco nos fins de tarde e aos domingos, atraindo casais, amigos e famílias que querem degustar os pratos das lojas.

Assim que assumiu a gestão do Mercadão, em junho de 2011, a família de Maria Lígia Morroni Arruda decidiu revitalizar a travessa, até então inutilizada. A proposta veio ao encontro do reposicionamento do conceito de focar na gastronomia. “Se de um lado estava o calçadão abandonado em meio a paredões, porque os estabelecimentos do entorno voltaram suas fachadas para as avenidas, por outro lado precisávamos de uma área externa para complementar nossa proposta gastronômica. Ter uma área externa era unir o útil ao agradável”, explica.

Os empreendedores apresentaram o projeto à prefeitura, que aprovou a revitalização. O Mercadão fez o projeto paisagístico e iniciou o plantio de mudas, a instalação de irrigação automática, luminárias, bancos, mesas, ombrelones, vasos e lixeiras. “Assumimos a reforma e a manutenção da travessa”, completa.

O resultado superou as expectativas não só pela aceitação dos clientes. “Tivemos retorno financeiro pelo aumento do fluxo e do tempo de permanência no Mercadão, mas mais do que isso é a aprovação da comunidade. Pessoas vêm aqui ler e brincar com os filhos, virou um ponto de lazer”, enfatiza Maria Lígia.

Atualmente, o Mercadão realiza a reforma de banheiros e planeja melhorar a fachada com a implantação do novo projeto de identidade visual. “Nosso objetivo não é apenas estético, mas funcional para oferecer um espaço gastronômico de alta qualidade e eficiência. A previsão é que essas mudanças sejam concluídas em dois anos”, informa a diretora.

 

Empresa e cliente ganham       

A responsabilidade pela manutenção da calçada é do proprietário do imóvel, mas isso não pode ser desculpa para melhorar o passeio público, e assim facilitar o ir e vir de pedestres e mostrar uma boa imagem da empresa. Até porque se o dono do imóvel demora para fazer a revitalização da calçada, quem pode estar perdendo clientes e negócios é o empresário.

Há empresas que optam justamente por fazer do espaço público uma área de convivência. Que o diga o sócio da Bread Fast, Rodrigo Pina Almeida, o Pina: ele fez questão de ter uma área de atendimento externo na avenida João Paulino Vieira Filho. “Nosso atendimento não se resume a vender panificação e confeitaria. A experiência do cliente acontece desde a entrada no estabelecimento”, enfatiza.

A proposta da empresa é diferenciada: a padaria funciona em um container e oferece drive thru. Os empresários assumiram a reforma da calçada, a pavimentação para o drive e o estacionamento com seis vagas e fizeram um deque com mesas e ombrelones. “Os clientes usam muito o deque, porque Maringá tem clima favorável. O consumo nesse espaço representa 60% do faturamento e tem tíquete maior do que do drive thru”.

Agora, Pina e os sócios investiram em outra novidade, a instalação de um parklet, uma plataforma sobre o estacionamento público para convívio e descanso – o equipamento precisa de aprovação de prefeitura. “É um conceito inovador, tanto que esse é o primeiro projeto sugerido para Maringá. A prefeitura precisou liberar duas vagas de estacionamento público em frente ao nosso estabelecimento para executarmos o projeto”, explica.

Inaugurado no final de agosto, o parklet, que foi executado pela Tropiso, oferece bancos, ombrelones, internet, tomadas para carregar celular e bicicletário. “A avenida é movimentada, com muitos estudantes circulando, e o novo espaço visa atender a comunidade com um local confortável. De quebra, muitas pessoas simpatizam com nossa iniciativa e se tornam clientes”, completa Pina, que planeja mais uma reforma na calçada para a acessibilidade de deficientes visuais.

Outra novidade é o aplicativo que antecipa pedidos no drive thru e que deverá funcionar ainda neste mês. “As novidades e comodidades não encarecem o produto. Nosso intuito não é elitizar, mas oferecer atendimento de qualidade com preços justos e acessíveis”, reforça.

 

Estacionamento

Na Medicinal – farmácia de manipulação de medicamentos, suplementos e cosméticos, as reformas na calçada e na estrutura do imóvel foram necessárias não só para a manutenção da área externa, mas para ofertar vagas de estacionamento, logo quando a empresa iniciou as atividades, em 2001. “Decidimos investir no estacionamento, mesmo em um imóvel alugado, para oferecer comodidade e diferencial aos clientes”, conta Sônia Regina Veiga Amaral.

Em 2010, por causa de uma reforma na fachada e na recepção, a empresa aproveitou para trocar o piso da calçada, que passou a ser de paver, e ampliou o estacionamento de cinco para oito vagas. “Essa foi a maior adequação que realizamos e ficou ótima”, garante Sônia. O aumento da demanda e do uso do estacionamento, porém, gerou a necessidade de mais uma intervenção.

Para isso, a Medicinal alugou o imóvel vizinho para conseguir mais quatro vagas. A obra foi feita em junho. “Agora temos 12 vagas que, em horário de pico, ficam bem movimentadas. Os clientes elogiam o estacionamento e tenho certeza de que sem essa comodidade, perderíamos vendas”, avalia.

 

O que diz o código de obras de Maringá?

Todo empresário que quiser executar manutenção ou reforma na calçada em frente ao estabelecimento comercial deve se atentar ao Código de Edificações e Posturas Básicas de Maringá. O diretor de fiscalização, Rubens Sebastião Marin Neto, ressalta, porém, que a responsabilidade de pavimentar e conservar a calçada é do proprietário do imóvel. “Isso não impede que o locatário faça um acordo com o proprietário para realizar as reformas e, assim, zelar pela área externa e pela segurança dos clientes que acessam o passeio público”.

Neto explica ainda que o reparo de danos na calçada provocados por obras de órgãos públicos, companhias públicas ou privadas é de responsabilidade de quem fez a operação. “Também pode ocorrer de a pessoa ter solicitado remoção de árvore e acabar recebendo notificação por causa da falta de manutenção na calçada. Nesse caso, basta fazer um requerimento para cancelarmos a autuação porque é correto que se espere a prefeitura resolver o problema para, depois, corrigir o pavimento”.

O diretor de fiscalização informa que, de janeiro a julho, a prefeitura emitiu 104 notificações e cerca de R$ 196 mil em multa por falta de calçamento. Também foram registradas 715 autuações e R$ 477 mil em multas para proprietários por falta de manutenção (retirada de rampas, degraus, saliências e depressões, obstruções e outros). “A população de Maringá cuida bem de suas calçadas. Há empresas que já instalaram o piso tátil, para direcionar deficientes visuais, e essa é uma medida que ainda vai entrar nas normas da cidade”.