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Coadjuvantes da cultura local

Ao destinar parte do Imposto de Renda para projetos locais, empresas incentivam produção e fomentam a economia

 

Reverter impostos em incentivo à cultura e trazer para terras maringaenses os recursos que seriam destinados ao Governo Federal. Eis a proposta da Lei Rouanet, política de incentivos fiscais que possibilita que empresas e pessoas físicas apliquem parte do Imposto de Renda (IR) em projetos culturais locais. É uma cadeia em que todos saem ganhando: do empresário que destinou os recursos aos produtores culturais, passando por artistas e comunidade. Maringá, que traz a ‘canção’ no nome, conta com uma importante agência de fomento e incentivo à cultura: o Instituto Cultural Ingá (ICI). Desde a fundação, em 2011, o ICI captou quase R$ 7 milhões via Lei Rouanet, valores que foram convertidos em projetos e ações culturais gratuitos ou a preços populares. A proposta é potencializar projetos, seja apoiando produtores ou empresas que querem investir em cultura por meio da Lei Rouanet ou patrocínio direto. Em 2017, o ICI apoiou diretamente 22 projetos. Foram captados R$ 1,8 milhão por meio da Lei Rouanet e R$ 300 mil por vias diretas, o que foi decisivo para Maringá ser a segunda cidade do Paraná em captação de recursos – aproximadamente 60% dos valores vieram de ações do ICI. Já em 2018 houve queda: o valor captado foi de pouco mais de R$ 1,5 milhão.

“O ICI tem uma relação de projetos validados pelo Ministério da Cidadania aptos a receber recursos. As empresas e pessoas físicas podem consultar essas informações e depois o ICI orienta nos processos para a efetivação do patrocínio”, explica o presidente, Carlos Eduardo Peinado. É uma oportunidade para empresas e produtores se conectarem. “Existem diferentes tipos de projetos que podem ser identificados com o DNA das empresas e, assim, todos contribuem para a construção de uma sociedade mais justa cultural e econômica”, acrescenta.

 

Visibilidade de marca

Para as empresas que apoiam projetos culturais da cidade, os benefícios são muitos. A começar pela possibilidade de transformar recursos da renúncia fiscal em marketing cultural, pois os apoiadores ganham visibilidade da marca. A contribuição também tem impacto na filosofia empresarial, uma vez que o marketing cultural e a responsabilidade social aproximam o público das empresas, gerando simpatia e credibilidade. E há o impacto socioeconômico, pois os recursos que são utilizados por produtores culturais em projetos locais envolvem artistas, cenário e outros profissionais. Há também o incentivo às aulas de teatro, música, dança e outras atividades artísticas desenvolvidas no contraturno escolar e que contribuem para a socialização de crianças e adolescentes. Do outro lado, a Lei de Incentivo à Cultura permite a remuneração e a movimentação de uma cadeia de profissionais que fazem parte da execução desses projetos. “Esses recursos dão a possibilidade aos artistas e produtores de atingirem uma qualidade superior na entrega do

produto cultural”, ressalta Peinado. Em 2018, as ações apoiadas pelo ICI impactaram mais de cem mil pessoas. “A maioria das ações foi oferecida de forma gratuita”, conta o presidente do ICI.

 

Privilégio

A Fortgreen, empresa de fertilizantes, bioestimulantes e adjuvantes, atua em território brasileiro, Paraguai e iniciou as vendas para a Europa. O grupo desde 2012 apoia projetos culturais de Maringá por meio da destinação de parte do Imposto de Renda: só em 2018, a Fortgreen fez aporte de R$ 234 mil. A empresa não paga impostos a mais, apenas exerce o direito de destinar parte deles aos projetos culturais do município.

“O que define um país quanto ao desenvolvimento integral é o grau de cultura da população, desta forma, para a Fortgreen, investir em cultura é uma das melhores formas de contribuir com o desenvolvimento da nação. A empresa já gera empregos, impostos etc., mas ter também o direito de destinar parte dos impostos para incentivar a cultura é um privilégio que muitos empresários desconhecem”, ressalta o CEO, Ferreirinha Aparecido da Costa. Segundo ele, a destinação de recursos, por meio do ICI, tornou-se uma cultura da Fortgreen. “Desde o primeiro dia do ano temos certa a destinação do IR por meio do ICI, que é uma referência da qualidade de aplicação dos recursos, com alto grau de transparência e responsabilidade”, acrescenta.

É o mesmo caminho adotado pela Lowçucar, empresa de alimentos saudáveis – adoçantes, achocolatados, gelatinas, biscoitos, bolos, chás e outros. No ano passado, a empresa destinou aproximadamente R$ 70 mil para projetos de renúncia fiscal, sendo mais da metade para a cultura maringaense. “Essa destinação é importante para a disseminação da cultura por meio de eventos, que normalmente são gratuitos. São oportunidades para vermos, vivenciarmos, aprendermos e refletirmos sobre a vida e relaxarmos”, afirma o diretor executivo, Cezar Couto. Mas além de refletir na comunidade, de modo geral, a contribuição com projetos culturais beneficia a empresa e equipe. “Temos oportunizado essa vivência cultural para os colaboradores. Além disso, junto com a parceria com o ICI, recebemos o Selo Amigo da Cultura, que divulgamos institucionalmente”, ressalta. Além da Lei de Incentivo à Cultura, a Lowçucar contribui com projetos de renúncia fiscal de outras modalidades, como o esporte, o Fundo da Infância e Adolescência (FIA), o Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica (Pronon) e o Programa Nacional de Apoio à Atenção da Saúde da Pessoa com Deficiência (Pronas). “Recomendo aos empresários que façam a destinação de parte do Imposto de Renda. É melhor e mais fácil do que mandar o dinheiro para Brasília e ficar torcendo para que esse dinheiro volte. Aqui podemos escolher o projeto e incentivá- -lo”, acrescenta Couto.

 

Sensação de pertencimento

Trimestralmente, a Crivialli faz repasses a projetos culturais por meio da Lei Rouanet. Em 2018, o aporte somou R$ 26 mil. Segundo a diretora, Sandra Cantagalli, a destinação do IR a projetos culturais garante mais transparência. “Esse dinheiro é investido em projetos culturais que escolhemos. Isso torna a utilização dos recursos mais transparente, pois sabemos onde os recursos são utilizados e podemos acompanhar o projeto, verificando suas ações e resultados”, afirma. Ela ressalta que os benefícios, muitas vezes, não são diretos, mas consistentes. “Fazer a destinação às entidades locais é de uma satisfação ímpar. É fazer o bem sem gastar nada. Os colaboradores ficam orgulhosos de ver o nome da empresa como patrocinador e benfeitor de obras artísticas e de assistência social. Nos dá a sensação de pertencimento ao contexto social de cidade e região”, acrescenta Sandra.