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Trabalhador saudável, empresa mais produtiva

Proporcionar um ambiente adequado nas empresas impacta a qualidade de vida e minimiza processos trabalhistas

 

É comum as empresas não se importarem com a saúde e segurança do trabalhador e fazerem de qualquer jeito, porque visualizam custo e não percebem como benefício. Mas isso é uma questão de responsabilidade social, do ponto de vista de atender a lei, e de estratégia, porque é possível reduzir custos com atestados e manter a equipe produtiva”. A afirmação é do fisioterapeuta George Coelho sobre a importância da medicina do trabalho. A legislação prevê cuidados por meio da Norma Regulamentadora (NR) 17, que tem o objetivo de “estabelecer parâmetros que permitem a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores, de modo a proporcionar um máximo de conforto, segurança e desempenho eficiente”. Tal como expõe a NR, as condições de trabalho incluem aspectos relacionados ao levantamento, transporte e descarga de materiais, mobiliário, equipamentos e condições ambientais e à própria organização do trabalho. E para adaptar as condições às características dos trabalhadores, cabe ao empregador realizar a análise ergonômica.

A empresa de Coelho, a Labore Saúde Ocupacional, além de prestar serviços previstos em lei na área de saúde e segurança do trabalho, atua no aumento da produtividade, fazendo análise ergonômica e serviços de segurança do trabalho por meio do Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) e do Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO), emitindo laudo de insalubridade, periculosidade e exames médicos. “Procuramos entender o que está acontecendo na empresa para corrigir. Atuamos com ginástica laboral, projetos de iluminação e cores, massagem, programas de saúde mental, como meditação e mindfulness, entre outros”, explica. Investir nos cuidados com a saúde e segurança do trabalho é uma estratégia que além de beneficiar os colaboradores, traz ganhos para a empresa. “São frequentes os processos trabalhistas de trabalhadores que carregam muito peso ou realizam esforço físico acentuado. Outro problema comum é a má postura por postos de trabalho sem ergonomia e mobiliário adequado”, afirma Coelho.

Em segundo lugar nos processos trabalhistas estão os problemas de saúde mental. “Novos problemas vêm surgindo, como os de saúde mental, que são a bola da vez e estão relacionados à pressão e sobrecarga mental. Apesar de trabalho ter grande impacto na vida da pessoa, existe um contexto fora daquele ambiente, e todos os fatores psicossociais devem ser considerados”, ressalta. Os cuidados devem começar na admissão. “Fazer a triagem da saúde do trabalhador antes de ele ingressar na empresa é essencial, além de manter esse cuidado durante todo o período do contrato de trabalho”, acrescenta Coelho.

 

Exames

Os exames ocupacionais fazem partedo controle complexo da saúdedos trabalhadores. Segundo o diretor-geral da NR Work Segurança eMedicina do Trabalho, Adonis Kaizer, as empresas precisam conheceros riscos dos ambientes de trabalho, por meio do PPRA e monitorar a saúde dos trabalhadores por meio do PCMSO. “Quando é feito de forma aleatória, o programa perde a finalidade de monitoramento, pois não está vinculado à atividade desenvolvida pelo trabalhador”, afirma. O eSocial, sistema do governo de escritura fiscal, passará a contar também com informações trabalhistas e previdenciárias a partir de janeiro de 2020 – conforme o cronograma do Governo Federal. No sistema, as empresas passarão a colocar todas as informações relacionadas aos colaboradores, funções, ambientes de trabalho, riscos e exames. Assim, será possível integrar todas as ações do INSS, ações trabalhistas, bem como fiscalização do Ministério do Trabalho. “Com o eSocial, acreditamos que as empresas passarão a ter uma gestão mais eficiente dos riscos e do monitoramento de saúde ocupacional, evitando afastamentos por doenças e acidentes de trabalho”, acrescenta Kaizer.

 

Físico e emocional

No caso da Recco, os cuidados com o ambiente de trabalho vão além da ergonomia. A empresa, que emprega mais de 600 pessoas, disponibiliza psicólogos para atendimentos a colaboradores e familiares, além de ajudar funcionários e familiares com problemas de drogadição por meio do Instituto Mão Amiga, custeando o tratamento em clínica especializada e ajudando na reinserção na sociedade. Um sistema médico de urgência terceirizado também fica à disposição, caso um trabalhador passe mal e precise de atendimento. Além de cumprir as obrigações legais, a empresa oferece atividades dentro e fora do ambiente empresarial, como ginástica laboral, dança, treino funcional, futebol feminino, palestras semanais com psicólogo sobre como levar uma vida saudável a partir de uma mente saudável e do revigoramento de comportamentos familiares. “Cuidar de pessoas está no DNA da Recco, faz parte da razão de existir da empresa, sempre zelando pela integridade física, emocional ou espiritual dos colaboradores, inclusive esta é a nossa missão oficial: ‘cobrir a nudez física, emocional e espiritual com amor’”, afirma o superintendente, Marcelo Alvo. “O investimento em saúde e bem-estar vai além de cumprir programas legais, pois corpo saudável contribui com mente saudável. Esses cuidados acabam se revertendo para a empresa, com um índice baixo de doenças ocupacionais e quase inexistentes acidentes do trabalho”, ressalta Alvo.