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Melhorar resultados, como?

Definir objetivos, estabelecer metas e mensurar indicadores para melhorar performance não são tarefas fáceis, mas metodologia OKR simplifica o processo e engaja os colaboradores

 

Franqueada do Cantão, no Maringá Park Shopping Center, Dielly Amadei Sendeski decidiu implantar um software para organizar o atendimento e obter indicadores, como metas, peças vendidas por vendedora e tíquete médio. A equipe, porém, continuou sem saber como melhorar os resultados pela dificuldade de analisar as métricas e criar estratégicas. Ao buscar solução, a empresária optou por agregar na gestão os Objetivos e Resultados Chave (objectives and key results – OKR), método de gestão, planejamento e performance.

Com o auxílio de consultoria e o envolvimento da equipe – uma gerente e quatro vendedoras -, a metodologia foi implantada há pouco mais de três meses. “Não adiantava ter indicadores e não saber como melhorar cada um. Então, o OKR veio para nos dar direcionamento, definindo objetivos e nos ajudando a alcançar performance”, comenta Dielly.

Para isso, a empresa de consultoria iniciou o trabalho com uma reunião de apresentação do método e um segundo encontro para auxiliar a equipe a elaborar o propósito, os três principais objetivos e as ações estratégias. “As colaboradoras participaram desse processo, compartilhando experiências e fazendo sugestões, o que favoreceu o sentimento de pertencimento e de engajamento”, destaca.

A partir daí, a consultoria passou a fazer check-in semanal para avaliar o impacto das ações e auxiliar a reflexão sobre estratégias que levariam cada colaboradora a atingir as metas. Dessa forma, a cultura organizacional foi adaptada à nova rotina. “No começo houve um pouco de receio por ser algo novo, mas logo a equipe entendeu os benefícios não só para a loja, mas para todas, já que são comissionadas”, completa a franqueada.

Quantos aos resultados, Dielly ressalta só ter motivos para comemorar, afinal, já no primeiro mês de aplicação do OKR a loja atingiu a meta. No segundo mês a equipe chegou à supermeta e a expectativa é alcançar ainda neste ano a hipermeta. “Estou satisfeita com os resultados que, sem dúvida, vieram com a ajuda da metodologia”.

 

Performance de equipe

Os sócios da Crefaz, Carlos Eduardo Navarro Ribeiro e Danilo Tadeu Alves, também estão contentes com as melhorias a partir do OKR. Com o auxílio de consultoria, eles começaram a implantar o método em junho e em 18 dias a equipe colocou em prática os objetivos. “Os resultados foram observados logo no primeiro mês, como a melhora da performance da equipe”, cita Ribeiro.

O empresário conta que a implantação ocorreu em três etapas. A primeira, e talvez mais desafiadora, foi definir os objetivos. “Fizemos até estudos para nortear de forma prática e direta o que a empresa almeja. Líderes e profissionais estratégicos fizeram parte dessa construção, e tiveram de mudar a forma de olhar para os resultados, adotando análise específica e aprofundada”, conta Ribeiro, ao citar que a empresa tem mais de 200 colaboradores.

O próximo passo foi analisar se os objetivos estavam bem definidos e, por fim, aplicar as ações estratégicas. “Foi um processo de mudança cultural, porém, não tivemos resistência por parte dos colaboradores. O método foi apresentado à equipe, que entendeu a oportunidade de crescimento, de otimização de processos e, por consequência, a redução de estresse que o OKR traria para o trabalho”, enfatiza Ribeiro.

Os benefícios de atuar com gestão exponencial, que propõe rápido crescimento em um curto período de tempo, atraíram os sócios para o OKR, já que a Crefaz vivencia uma fase de crescimento e, por isso, precisava estruturar a gestão. “Optamos pela metodologia, porque percebemos que poderíamos traçar metas e objetivos de forma efetiva e com foco em resultado, melhorar processos, comunicação e ainda ter ganhos em performance e produtividade”, justifica Ribeiro, que pretende dar continuidade ao OKR e agregar outros métodos.

 

Liberdade para mudanças

Depois de anos de carreira executiva, José Rodolfo Grou abriu a Trianon Consultoria Empresarial. Ele mesmo aderiu ao OKR não só por atuar com foco em recursos humanos e implantação de planejamento estratégico nos clientes, mas porque observava que a equipe precisava gerenciar projetos com mais agilidade e eficiência.

Grou, que também é consultor do Centro de Treinamento da ACIM, conheceu a metodologia quando cursava mestrado. Para se aprofundar no assunto, participou de capacitação em Maringá e foi para o Vale do Silício, nos Estados Unidos, onde aprendeu mais sobre a técnica e outros métodos de gestão e desenvolvimento de pessoas. “Buscava para minha empresa um método ágil, moderno, de fácil aplicação, que pudesse ser acompanhado por todos e que não ‘engessasse’ os processos”, explica.

Mesmo com conhecimento sobre a ferramenta, ele preferiu buscar o auxílio de dois consultores para implantar o método junto aos colaboradores. “Precisava adquirir mais maturidade e repertório para, depois, oferecer esse serviço aos clientes. Além disso, a partir da experiência dos consultores, queria saber as dificuldades que outras empresas tiveram na implantação”, justifica.

A implantação durou cerca de três meses, porque foi preciso redefinir métricas e fluxo de trabalho. A equipe também passou a atuar com ciclo trimestral de planejamento e a fazer checagem semanal de indicadores. Caso identifiquem dificuldades, os colaboradores têm liberdade para sugerir mudanças.

Durante a etapa de adaptação, Grou diz que um dos principais desafios foi, justamente, ajustar processos e, enquanto líder, precisou se abrir para a avaliação dos colaboradores. “Eles atuam com execução e, por isso, podem apresentar sugestões que contribuem para a melhora dos resultados. Realmente fez muita diferença estabelecer essa comunicação, dando aos colaboradores à visão do negócio”, garante.

Com isso, a empresa ganhou agilidade, cultura flexível, autonomia dos colaboradores e qualidade. E os resultados vieram de imediato, como o aumento de faturamento, redução de 21 para dez dias para o preenchimento de vaga, que é um serviço de recrutamento e seleção que a empresa oferece, e mais de 200 contratações assertivas, de janeiro a outubro, sendo que destes, apenas três deixaram o cargo no período de experiência. “Tenho certeza que superamos a média do mercado graças ao OKR”, afirma.

 

Aplicável a qualquer negócio

Criado pelo ex-CEO da Intel, Andrew Grove, e implantado pelo Google desde 1999, o OKR simplifica os objetivos da empresa, tornando-os quantitativos para viabilizar a busca de resultados. Embora desenvolvido por uma multinacional, o método é viável para empresas de qualquer porte. “Dá até para utilizar na vida pessoal”, completa Jaqueline Reinert Godoy, sócia da Idest Gestão e Negócios, ao lado de Maria Fernanda Santana.

Os focos do OKR são esclarecer as prioridades e os objetivos da empresa, a fim de deixar claro para toda equipe tanto os rumos do negócio quanto a contribuição de cada profissional aos resultados. “No entanto, é comum encontrar empresas em que os colaboradores, focados em suas funções, conduzem as tarefas de acordo com as próprias percepções de prioridade, sem saber os objetivos da organização. Às vezes, nem a liderança tem essa clareza. Então, para implantar o método, primeiro fazemos essa reflexão para definir o direcionamento”, comenta Maria Fernanda. Outra premissa da metodologia é envolver a equipe na construção dos objetivos, porque favorece o sentimento de pertencimento e, por consequência, de engajamento, responsabilidade e comprometimento, contribuindo com a melhora da performance. Nessa etapa, Jaqueline informa que a liderança tem participação de 40%, já os colaboradores contribuem com 60%. “Esse alinhamento de linguagem e de prioridade impacta a cultura organizacional, porque mobiliza todos em direção ao propósito da empresa”, frisa.

Nesse sentido, também é fundamental que os objetivos e resultados envolvam todos os departamentos. “Cada setor e profissional tem seu objetivo, mas acompanha os indicadores e a produtividade do todo, porque a ideia de crescimento não ocorre de forma isolada e, naturalmente, isso leva à melhora da comunicação e aumenta o nível de interdependência das áreas, uma vez que torna necessário trocar informações para atingir eficiência”, garante Jaqueline.

A consultora destaca que para garantir propostas ousadas e desafiadoras, o OKR não atua com bonificação financeira. Isso porque ao participar da construção das metas, o profissional pode minimizar o grau de dificuldade para obter a premiação com mais facilidade. A motivação fica por conta de feedback, elogios, reconhecimento e visibilidade entre os colegas. “O método trabalha a cultura de retorno e de palavras de afirmação que fazem diferença no dia a dia”, completa Maria Fernanda.

O ciclo trimestral de planejamento e a avaliação semanal de indicadores são outros diferenciais. “Diferente de esperar um ano para avaliar o que deu certo, a metodologia sugere constantes pausas para refletir, aprender com as situações e, se preciso, alterar o rumo”, frisa Maria Fernanda.