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Um banco de dados de bons pagadores

Cadastro positivo inverte a lógica da inadimplência ao apontar score com base no histórico de pagamento dos consumidores

 

Com a proposta de trazer o lado da adimplência, o Cadastro Positivo é um banco de dados que reúne o histórico de pagamentos de pessoas físicas e jurídicas. Adotado de forma bem-sucedida em mais de 70 países, o sistema permite que bons pagadores sejam reconhecidos e valorizados, e que suas chances de obter crédito aumentem.

Estimativa da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) aponta que o Cadastro Positivo pode beneficiar 152 milhões de consumidores pessoas físicas e jurídicas. Deste total, estima-se que 22,6 milhões de cidadãos estão atualmente fora do mercado de crédito e poderiam ser incluídos por apresentarem histórico favorável de adimplência.

Com a alteração da Lei nº 12.414/11, em julho de 2019, todos os consumidores e empresas que possuem compras a prazo, empréstimos, financiamentos e contas de consumo, como energia, água, telefone e internet, serão automaticamente incluídos no Cadastro Positivo, inclusive os negativados. A estimativa é que a adesão automática comece efetivamente em 2020.

Um estudo do Banco Mundial feito em 50 países com Cadastro Positivo mostrou queda de 43% da inadimplência. No Brasil, a estimativa é queda de 45% na inadimplência, 74% na taxa de juros e injeção de aproximadamente R$ 1,1 trilhão no mercado de crédito nos próximos dez anos.

 

Score de crédito

Os benefícios do Cadastro Positivo são grandes: facilidade para acompanhar pagamentos e score de crédito, mais confiança entre lojistas e clientes, facilidade e aumento do acesso ao crédito e diminuição da inadimplência e da taxa de juros. Além disso, o sistema proporciona a inclusão financeira, abrindo possibilidades para pessoas e empresas que não teriam acesso a créditos.

Diariamente, SPC Brasil e Serasa recolhem dados de pessoas físicas e jurídicas e calculam a pontuação de crédito, conhecido como score, que pode chegar a mil. Conforme as contas são quitadas em dia, acumulam-se pontos, e se há atraso no pagamento, perdem-se pontos. Quanto mais próximo de mil, melhor a reputação em relação ao pagamento de dívidas.

O score, por sua vez, é compartilhado com os bancos, financeiras, comércio e prestadores de serviços para análise do perfil de crédito. Para ter acesso ao detalhamento de dados, será necessário obter a autorização do cadastrado.

Serão reportadas ao Cadastro Positivo valores de financiamentos, o número e valor de parcelas, além da pontualidade e de como o consumidor ou empresa tem realizado o pagamento. Informações sobre os tipos de produtos ou serviços comprados não são enviadas ao banco de dados.

Com o score em mãos, as instituições financeiras têm condições de analisar o perfil do consumidor de forma personalizada para definir condições comerciais e preços ajustados às necessidades de cada um.

 

Crédito diferenciado

“Antes desse termo, que foi instituído pela lei com adesão automática, as empresas que concediam crédito olhavam o cadastro negativo, ou seja, observavam se o consumidor tinha inadimplência. Agora a empresa tem a possibilidade de observar também como é o comportamento do consumidor em relação ao pagamento. Se ele paga em dia, a empresa pode oferecer um crédito diferenciado, com taxas mais baratas, ou mais indicado ao perfil dele”, explica a economista do Conselho de Desenvolvimento Econômico de Maringá (Codem), Yasmine da Mata Mendonça.

Ou seja, com o Cadastro Positivo o mercado de crédito terá a possibilidade de avaliar melhor o risco de concessão de crédito para cada consumidor ou empresa. “Anteriormente, as empresas de crédito precisavam considerar o risco de inadimplência e cobravam uma taxa mais alta para compensar esse risco. A ideia é que agora possamos ter taxas mais baratas para as pessoas e empresas com bom histórico de pagamento, pois elas não serão mais penalizadas pelos negativados”, afirma Yasmine.

A alteração da lei, que estabelece adesão automática ao Cadastro Positivo, significa uma mudança na cultura. “Antes, olhávamos para o lado ruim, para a inadimplência, e agora temos possibilidade de olhar a adimplência, ou seja, estamos valorizando as pessoas que pagam em dia. O crédito é bom e pode ser um remédio para a empresa, mas também pode ser uma ‘doença’ para quem não sabe utilizá-lo, gerando endividamento e inadimplência”, acrescenta a economista.

No caso dos negativados, a adesão também traz benefícios, uma vez que as contas pagas em dia serão consideradas, e as empresas terão condições de avaliar o histórico de pagamento de uma forma completa.

Pessoas físicas e jurídicas, por sua vez, poderão se cadastrar no site do SPC Brasil ou Serasa para acompanhar seu score. “É importante acompanhar se o CPF ou o CNPJ da empresa não tem restrições. Inclusive, é possível entrar em contato com os birôs de crédito e pedir revisão dos dados, caso o consumidor ache que as informações estão equivocadas. Também é possível solicitar aos birôs a exclusão do Cadastro Positivo, que acontece em até dois dias, mas não é recomendado, justamente por ser gratuito e trazer benefícios”, acrescenta Yasmine.

A ACIM, em parceria com o SPC Brasil, vai captar fontes para abastecimento da base de dados e distribuir aos demais birôs de crédito. A entidade também dará suporte ao consumidor que vem ao balcão da sede para tirar dúvidas sobre seu Cadastro Positivo. Mais informações no site www.spcbrasil.org.br/cadastropositivo