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Um ambiente de incentivo à inovação

Empreendedores com boas ideias e empresas que precisam investir em novos processos e produtos encontram parceiros fortes em Maringá, que oferecem metodologias e até subsidiam parte do investimento

 

O Paraná é o segundo estado mais inovador do Brasil, segundo o Índice de Inovação dos Estados, lançado no ano passado pela Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC). Ele também é vice-líder em investimentos em ciência e tecnologia, atrás apenas de São Paulo. Acompanhando o dinamismo, Maringá amplia as portas para a inovação. Além de ser polo universitário e contar com incubadoras e aceleradoras de startups, entidades como o Sindicato da Construção Civil do Paraná (Sinduscon PR/Noroeste), ACIM e Sebrae/PR estão investindo em espaços tecnológicos, com iniciativas que expandem e potencializam o ecossistema de inovação de Maringá.

Inovar na construção civil, que ocupa a penúltima posição em um ranking com 22 setores quando o assunto é informatização/digitalização, é um grande desafio. De acordo com um estudo da consultoria McKinsey, o segmento está à frente apenas da agricultura/caça. E foi justamente para mudar esse cenário que o Sinduscon/PR-Noroeste e a Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Maringá (AEAM) criaram um parque tecnológico em Maringá.

O espaço foi inaugurado em novembro, na rua Tiradentes, junto à sede das duas entidades, chamada de Engenium Park. Com a proposta de incentivar pesquisas, novos materiais e tecnologias, a estrutura conta com uma ampla sala para abrigar construtechs e startups, sala de treinamento, auditório e espaço de coworking. No total, são 24 estações de trabalho.

“Existem diversas ações de inovação na cidade, mas elas são feitas de forma independente e isolada. O objetivo do Engenium Park é justamente abrigar e desenvolver construtechs e startups e dar uma governança sobre isso”, destaca o presidente do Sinduscon, Rogério Yabiku.

As primeiras startups deverão se instalar até abril. São as vencedoras do Ideathon Maringá, uma maratona para apresentação de soluções que reuniu estudantes dos cursos de Engenharia Civil e de Desenvolvimento de Sistemas e tiveram mentorias de empresários e executivos do setor. Outras empresas poderão fazer parte do parque tecnológico a partir deste ano. “O espaço não será voltado somente para a construção civil, startups de outras áreas que impactam o setor também poderão ser abrigadas no ambiente. A construção civil é transversal, engloba uma gama grande da economia. Podemos ter, por exemplo, desenvolvedor de software na área de contábil, que tem um impacto nas construtoras, ou uma startup voltada ao controle de estoque de uma loja de materiais de construção ou uma empresa relacionada a drones”, exemplifica Yabiku.

O Sinduscon firmou parceria com o Sebrae, que dará o suporte de empreendedorismo às empresas embrionárias, enquanto o sindicato dará suporte técnico. As empresas poderão se ‘hospedar’ por três meses no Engenium Park, tendo acesso a mentorias, capacitações e programa de aceleração. A ideia da equipe será trabalhada e analisada durante 90 dias para ser validada ou não.

“Muitas vezes o empreendedor tem uma boa ideia na gaveta, mas não tem acesso ao mercado. Como esse espaço está na nossa sede administrativa, teremos empresários e diretores de construtoras nesse ambiente para acompanhar. Vamos analisar se é um modelo de negócio viável e promissor. Se não for, daremos feedback sobre como melhorar e abriremos espaço para outros”, enfatiza o presidente do Sinduscon.

Empresas sediadas no Engenium Park poderão participar de editais de incentivo à pesquisa e inovação para angariar recursos e dar sequência ao trabalho. Há uma lista de interessados que aguardam a finalização dos trâmites legais para tentar um espaço no parque tecnológico do Sinduscon, por meio de processo seletivo que será divulgado futuramente.

Segundo Yabiku, o Engenium Park é um embrião do que virá a ser um grande parque tecnológico. “Começamos com uma área pequena para entender como será a operação e já temos um projeto que é a segunda etapa, uma nova construção onde teremos áreas de aceleração e de coworking para que essas empresas operem dentro do parque tecnológico”, acrescenta.

 

Indústria

Ainda na área de engenharia, em setembro de 2019 o Sistema Fiep inaugurou o Instituto Senai de Inovação (ISI) em Engenharia de Estruturas, que é dedicado à pesquisa aplicada ao desenvolvimento de novas tecnologias, processos e materiais estruturais. Os projetos de inovação são destinados à indústria, desenhados a quatro mãos, contando com a participação dos engenheiros e gestores da empresa parceira, o que garante dinâmica à pesquisa e aumenta a probabilidade de sucesso do processo/produto no mercado.

O investimento foi de aproximadamente R$ 45 milhões, incluindo a construção de um edifício moderno, laboratórios exclusivos e a aquisição de equipamentos. “Nossos projetos versam fortemente ao desenvolvimento de tecnologias e materiais para os setores ferroviário e da construção civil. Mas estamos aptos a atender as indústrias interessadas, temos atuação verdadeiramente transversal. Nossa missão é agregar valor e aumentar a competitividade da indústria brasileira”, explica o diretor do ISI em Engenharia de Estruturas, Nério Vicente Junior.

As indústrias interessadas em inovar podem usufruir dos benefícios do ISI, sejam elas startups, pequenas, médias ou grandes, apresentando um desafio de melhoramento de processo ou produto, buscando nova tecnologia, visando a novos mercados ou melhorando a competitividade no setor. “Somos o único ISI em Engenharia de Estruturas do Brasil e, por isso, atendemos indústrias de todas as regiões do país, mas obviamente nossa ligação com a cidade e a região é mais marcante. Os canais de fomento à pesquisa aplicada à inovação industrial que temos acesso podem ser catalisadores de inovação, no sentido que temos conseguido captar recursos que ajudam a subsidiar os investimentos da empresa”, ressalta Vicente Junior.

De acordo com ele, o investimento no ISI se justifica. “Maringá é um polo tecnológico e referência em educação de nível superior. Além disso, algumas indústrias da região têm relevância estadual e outras estão no agronegócio, com possibilidade de rápida expansão”, acrescenta.

 

Inovação para micro e pequenos

A ACIM também está mirando na inovação. Além de investir no Inovus, um espaço onde empresas poderão discutir problemas e buscar soluções inovadoras, a entidade está reformando os três pisos e renovando a dinâmica de trabalho dos colaboradores. A reforma, cuja proposta é transformar a ACIM em um grande laboratório de inovação, deve ser finalizada no início de março.

De acordo com o CEO da A5 Arquitetura, Gustavo Sabaini, que é responsável por desenvolver o projeto, a Associação Comercial se tornará um grande instrumento de inovação. “Num cenário onde as respostas precisam ser mais rápidas e as empresas mais flexíveis, estar em constante inovação é fundamental. Como a ACIM é referência em gestão, servindo de case para outras associações, percebemos que além do Inovus, a entidade pode ser um grande laboratório de inovação”, destaca.

O projeto prevê ambientes colaborativos e a implantação do Inovus no segundo piso, para atender empresários que se preocupam em inovar, principalmente micro e pequenos. “O espaço vai atender empresários que entendem este novo momento do consumo e que se questionam: ‘como estará meu negócio daqui três, cinco ou mais anos?’. ‘Quais produtos e movimentos são necessários para se manter atualizado?’. São empresários dispostos a se reinventar”, conta Sabaini.

Dentro do Inovus, que comporta aproximadamente 50 pessoas em uma dinâmica de inovação, empresas terão a oportunidade de expor dificuldades para buscar melhorias, aprimorar e evoluir em seus processos e produtos. Para isso, será usada a metodologia de design sprint, que permite validar uma ideia em poucos dias. Também serão contratados dois consultores treinados para uso dessa metodologia.

 

Aceleradora

Outro agente importante no ambiente de inovação é a Evoa, uma aceleradora de startups sem fins lucrativos que começou a funcionar em 2017. “O propósito sempre foi de retenção de talentos, aumento da mão de obra qualificada e a prosperidade das empresas”, explica o economista e gerente-executivo, Matheus Lisboa Cesco.

A fórmula da prosperidade envolve três processos. O primeiro é o  fomento inicial, por meio de programa de aceleração estruturado, mentorias, workshop, networking, treinamentos e outros. Empresas aceleradas prosperam, aumentam o faturamento, contratam mais colaboradores – mão de obra especializada – retêm talentos em Maringá, além de aumentarem os tributos pagos ao município. Por fim, o círculo virtuoso se encerra com as empresas que prosperaram contribuindo com o crescimento das novas.

A Evoa tem capacidade para 83 empreendedores. Hoje são 52 instalados no espaço, de startups a empresas consolidadas. “Em 2020, a Evoa pretende estabelecer mais conexões entre desafios de empresas consolidadas e soluções de startups locais, além de almejarmos a ampliação do espaço físico”, destaca Cesco.

Para ele, o ecossistema de inovação de Maringá está iniciando o processo de amadurecimento. “A inovação pode ser dividida em três etapas: desconhecimento total, conhecimento parcial e conhecimento pleno. Estamos na fase de conhecimento parcial, onde empresários, estudantes, comunidade em geral sabem que é preciso inovar, porém uma parcela pequena está mergulhada e apostando no tema”, ressalta.

“Esperamos que, nos próximos anos, cases maringaenses ganhem representatividade nacional e, em um segundo momento, essas startups contribuam para o crescimento do ecossistema local, num processo que chamamos de give back (retribuir a ajuda do ecossistema local). O case que está mais perto deste momento é o Aiqfome”, acrescenta.

A Evoa tem projetos para empresas de todos os tamanhos. Para esclarecer dúvidas, o contato é pelo e-mail matheus@evoa.com.br

 

BOX: Ajuda para começar

Com atuação em todo o Brasil, o Sebraetec é um produto do Sebrae que conecta os pequenos negócios a uma rede de prestadores de serviços tecnológicos. E o Paraná é um dos estados que mais investe em inovação por meio do programa, que subsidia até 70% do acesso a serviços, ou seja, para ter o projeto desenvolvido por um laboratório especializado, a empresa paga apenas 30%.

“Por meio do programa, esses serviços são oferecidos por um custo acessível”, destaca o consultor do Sebrae Paraná e vice-presidente do Conselho Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação de Maringá (CMCTI), Marcos Aurélio Gonçalves.

O programa é destinado a Microempreendedores Individuais (MEIs), micro e pequenas empresas, além de produtores rurais, artesãos e pescadores que têm registro próprio. O faturamento anual não pode ultrapassar R$ 4,8 milhões. O Sebraetec tem sete áreas: inovação, design, produtividade, propriedade intelectual, qualidade, sustentabilidade e serviços digitais.

O primeiro passo para participar é procurar uma unidade de atendimento do Sebrae, onde os consultores verificam se a demanda se enquadra nos parâmetros do programa. Após aprovação, o sistema identifica o fornecedor e faz a proposta de trabalho, que o empresário pode ou não aceitar. “Os empresários acessam os serviços de fornecedores especializados, como o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), para registro de marcas e patentes, institutos de certificação e outros. Tais meios podem certificar e gerar projetos inovadores para as empresas, além de um hall de fornecedores e consultores”, afirma Gonçalves.