Palavra com o Presidente

 

 

 

REFORMA DA PREVIDÊNCIA AJUDARÁ DESENTRAVAR CRESCIMENTO

 

A reforma da previdência é uma das reivindicações da sociedade. Sem ela, sentenciam os especialistas, a economia brasileira enfrentará entraves para crescer. É consenso também que precisamos reduzir os gastos públicos, já que a carga tributária onera empresários e trabalhadores, e um dos motivos que levam à alta carga é justamente o custo bilionário da previdência no Brasil.

A reforma deve atuar no sentido de reduzir as injustiças no sistema previdenciário. Há vários interesses envolvidos e todos com demandas pessoais ou classistas. Porém, é o interesse do país que deve prevalecer. A previdência tem um impacto enorme nas contas públicas e sua inadequação retira recursos que deveriam ser destinados a outras áreas de grande impacto social.                  No final de fevereiro, o mercado, de acordo com pesquisa do Banco Central, baixou a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil. Sem dúvida, há um grande impacto provocado pelas incertezas em relação à extensão da aprovação da reforma da previdência e do controle dos gastos públicos.

A economia precisa voltar a crescer, e os 2,5% previstos para este ano (com semelhante percentual no ano que vem) estão aquém do potencial do Brasil e do almejado pela sociedade. Com a equalização do deficit da previdência, será possível voltar a investir em infraestrutura, por exemplo, que é outra reivindicação antiga. Isso ampliará a geração de emprego e renda, afetando positivamente a sociedade. Segundo estudo da consultoria Oliver Wyman, se o Brasil dobrasse o volume de recursos destinados à infraestrutura seriam necessários mais 25 anos para oferecer serviços com o  ‘mínimo de qualidade’, semelhantes a de outros países emergentes, como Índia e China.

Há que se ponderar que a infraestrutura no Brasil é deficiente por uma série de motivos: além da falta de investimentos por incertezas econômicas, dizem os especialistas, é preciso oferecer maior segurança jurídica para os investimentos da iniciativa privada.

Ainda que a reforma da previdência não seja consenso entre todas as categorias profissionais, o que já era esperado, ela precisa ser feita. Só com essa e outras reformas o Brasil poderá voltar a conquistar crescimento econômico, garantindo para os brasileiros um país sustentável e justo.

 

Michel Felippe Soares é presidente da Associação Comercial e Empresarial de Maringá (ACIM)