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Sem desculpas para a inovação

Para o especialista em inovação Arthur Igreja, pandemia tirou empresas do estado de negação sobre as mudanças que estão em curso e foram aceleradas Em tempos de isolamento social por causa da pandemia da Covid-19, as tecnologias assumem o papel de protagonistas na busca por soluções para as situações inéditas vivenciadas pelos negócios. “Se a pandemia tivesse acontecido há 20 anos, estaríamos completamente paralisados”, afirma o engenheiro mecatrônico Arthur Igreja, ao destacar a importância da tecnologia e da inovação neste momento de crise. Especialista em inovação, Igreja diz que a tecnologia e a inovação têm ajudado a mitigar os impactos da crise ao permitir a manutenção das atividades e oferecer alternativas aos modelos tradicionais de negócios. “Quem estava mais bem posicionado em relação à tecnologia, está mantendo as atividades. Ninguém imaginava algo desta magnitude, mas é o cenário atual e precisamos buscar novos caminhos”. Igreja é autor do livro ‘Conveniência é o Nome do Negócio’ e tem certificações executivas nas prestigiadas universidade de Harvard, nos Estados Unidos, e em Cambridge, Inglaterra. Atua profissionalmente em mais de 25 países, ministrando mais de 150 palestras por ano no Brasil, EUA e Europa. Confira: Bancos e consultorias revisaram para baixo as projeções do PIB brasileiro de 2020 por causa da pandemia. Caminhamos para um cenário de recessão econômica? A China registrou a maior queda em 30 anos e os Estados Unidos teve mais de 4% de contração no primeiro trimestre. E lembrando que até fevereiro as coisas funcionaram razoavelmente dentro do normal. A perspectiva para o segundo trimestre é ainda pior. No Brasil o efeito só está um pouco retardado porque começamos a parar na metade de março. O primeiro trimestre das empresas será quase normal, a paulada virá no segundo. E o Brasil já vinha numa marcha lenta. O Paraná está mais protegido por causa do agronegócio, mas a recessão é certa e inevitável. Empresas tiveram que se reinventar em dias. Dá para tirar alguma lição positiva destes dias difíceis? Quase todo mundo sabia quais eram as tendências, mas muitos relutavam em acreditar que elas estavam realmente acontecendo. Diziam: ‘não é tão rápido, isso não é no Brasil ou na minha região’. E agora ficou gritante e explícito que quem está mais digital e acreditou nestas tendências, se salvou. Agora não tem mais desculpa para não inovar em determinados aspectos do negócio, não se mexer. Acho que isso é bom porque tira as pessoas de um estado de negação. O e-commerce fica fortalecido ou a tendência é que pós-pandemia o consumidor se volte para a experiência de consumo? O e-commerce ocupava algo entre 4% e 7% do varejo tradicional e movimentava cerca de R$ 75 bilhões. Agora temos cerca de 40% de novos compradores na internet, gente que nunca tinha comprado online. Este é um hábito que veio para ficar. Teremos uma economia muito mais digital durante e na saída disso tudo. A crise traz oportunidades. Esta é uma frase comum nos períodos de crise econômica. Se aplica neste momento? A crise não traz oportunidades, traz problemas. As pessoas criam oportunidades, e claro que isso está acontecendo. Temos setores que estão crescendo. Tem empresa exportadora que vai se beneficiar, assim como empresas digitais que têm a ferramenta certa e necessária neste momento. Vai ter muito modelo de negócio que será criado agora. Se existe uma certeza é que, historicamente, uma grande geração de empreendedores e novos modelos de negócio surgem por causa de uma ruptura. Ruptura porque as pessoas precisam colocar em prática toda sua criatividade e inovação, e os consumidores estão abertos a novos hábitos e dispostos a provar soluções. As marcas podem usar este momento para se fortalecer? Com certeza. Temos um novo arranjo entre as marcas mais lembradas e mais queridas, que são aquelas que agiram melhor em época de crise e não ficaram forçando a mão para voltar o negócio a todo custo. Há dois extremos. De um lado temos marcas que estão enfrentando crises de imagem porque não conseguiram ter empatia, não conseguiram entender o momento. Do outro lado, estão as empresas que se voltaram para ajudar o outro e a sociedade. A pandemia passa, os relacionamentos e as atitudes durante este período são marcantes e ficam. Quais devem ser os impactos no mercado de trabalho? O lado dos trabalhadores sai fragilizado, com menos relações tradicionais de trabalho, mais freelancers, autônomos e informais, bem como mais plataformas conectando oferta e demanda. Mais desprotegido do ponto de vista trabalhista, o trabalhador vai topar condições de emprego para sobreviver e relações mais digitais, com home office e produtividade remota. Nas empresas haverá a quebra de uma série de paradigmas. Muitas não confiavam em home office e de repente, forçosamente, tiveram que experimentar e estão vendo que funciona. Essas mudanças trarão aspectos positivos, porque as pessoas serão mais produtivas, terão mais tempo, haverá menos trânsito e poluição. No Brasil, a previsão é que a pandemia ainda atinja seu pico em maio e junho. Quais cenários podemos traçar neste período? É uma doença inédita, com consequências inéditas e características locais importantes em termos de disponibilidade de atendimento e pirâmide social. Cada país, estado e município têm uma situação única. O comportamento das pessoas também muda esta dinâmica, assim como o suporte dado pelo governo. Se há mais medidas econômicas, as pessoas podem se resguardar. Se não tem suporte do governo, elas têm que ir às ruas, e isso aumenta a contaminação. O modelo que responde bem hoje, semana que vem pode ser risível. Existem projeções mais favoráveis para o final de maio e início de junho, mas qualquer um que esteja cravando uma data estará se expondo ao ridículo. É como tentar acertar a cotação do dólar, é muito difícil. O momento é de resiliência, disciplina e cuidados para encontrar maneiras de preservar o caixa da empresa. É a estratégia do camelo: salvar o máximo de água no deserto, ficar quietinho na sombra e entender que num segundo momento é hora de correr. Importante ter esta compreensão que é um momento mais complexo do que a maioria está conseguindo compreender. Mas terá uma saída, espera-se que em breve, e aí teremos que reconstruir os danos.  

Posicionamento de marca em tempos de pandemia

Períodos de crise evidenciam falta de propósito e comunicação desconexa com o público; ferramentas gratuitas ajudam a medir audiência e engajamento Um dos grandes desafios das empresas é comunicar-se com o público de forma assertiva e construir uma imagem consistente. Especialmente em tempos de crise, como a da  pandemia do novo coronavírus, não é o cliente que deve buscar informações sobre o posicionamento de uma marca, mas a marca que deve comunicar isso. De acordo com a consultora em Gestão de Marcas, Daniela Martins Barbosa, três pontos são fundamentais nesse processo de posicionamento: propósito, relacionamento e papel do marketing. “Tudo começa antes da crise. Se o empreendedor está com dificuldades de posicionar a marca e se relacionar com o cliente, é porque esses pontos, até então, não tinham sido trabalhados, e o isolamento social gerado com a pandemia trouxe esses questionamentos”, explica ela, que integra o Núcleo de Marketing do programa Empreender da ACIM. De acordo com Daniela, ter propósito é crucial para a boa reputação em qualquer período, de crise ou não. A partir do propósito, alinham-se os objetivos estratégicos da empresa. “Descobrir o propósito traz clareza e autenticidade à comunicação. Sem isso, a marca pode ser guiada pela opinião pública, onde as pessoas vão julgar, a partir das próprias percepções. As grandes empresas começaram pequenas, e cresceram porque definiram, no passado, o propósito”, destaca. “Pessoas querem consumir produtos de marcas que estão mudando o mundo de alguma forma”, completa. Identificação do público O relacionamento é o segundo ponto crucial para o posicionamento, e envolve pesquisa de comportamento do público, identificação do cliente ideal (persona), desenvolvimento de ações de relacionamento, envolvimento com parceiros e construção de reputação. Neste ponto, as redes sociais são aliadas da comunicação. “Ações de relacionamento requerem conhecimento profundo dos desejos, necessidades e interesses dos clientes. Sem estudar esses pontos, a estratégia será pouco consistente. Quando a marca deixa de se relacionar e se posicionar, tanto o cliente quanto o mercado têm dificuldade de se conectar”, afirma a consultora. O terceiro ponto, e não menos importante, é entender o papel do marketing na empresa, que deve ser alicerçado a uma macroestratégia. Gerir uma marca requer estudo minucioso da história da empresa, objetivos estratégicos do negócio e dos CEOs, aliado a informações internas que estão ligadas às pessoas, processos, produtos e serviços. “Na linha de frente da comunicação estão as áreas de jornalismo, relações-públicas e publicidade e propaganda, agindo de forma integrada para comunicar o posicionamento, e só depois vem o marketing e seu universo onicanal. Todas essas áreas deveriam funcionar de forma integrada, mas algumas empresas insistem em apostar apenas no marketing, principalmente o digital, sem ter um planejamento regido pela gestão de marca”, enfatiza Daniela. Indicadores O publicitário Guilherme de Almeida Correia, especialista em Gestão Estratégica de Marketing e Vendas, reforça a importância de indicadores de performance para verificar o impacto e engajamento do público. São eles: nível de engajamento do público com os anúncios, compartilhamentos e marcações de pessoas, análise do caminho do público para chegar ao conteúdo ou anúncio e depoimentos de clientes nas redes sociais e via WhatsApp. “Para um bom posicionamento, é necessário ter informações relevantes sobre como os clientes enxergam seu negócio e como é o engajamento do público com ações de mercado. Isso vai direcionar o melhor caminho na construção de valor da marca”, comenta Correia. Novas demandas Estar atento ao público e suas demandas também é uma porta para novos negócios. Durante a pandemia da Covid-19, a Agência Gene, especializada na criação de marcas, fechou um contrato com um cliente de Rondonópolis/MT para criação de uma marca de um supermercado online. De acordo com o publicitário e diretor de contas, Thiago Oliveira Verri, o cliente relatou que sempre pensou em empreender no mercado alimentício, e com a quarentena enxergou a possibilidade de investir. “Acredito que o isolamento criou demandas que eram pouco comuns e se tornarão comodidades e novas maneiras de consumo. Nesses momentos fica mais evidente que empreender não é apenas montar um negócio e atender os clientes. Quem consegue se adaptar e superar as dificuldades, se fortalece e aprende muito”, destaca Verri. Ele ressalta que é importante buscar conhecer os clientes, suas preferências e necessidades não só em momentos de crise. “Só assim consegue-se entender os clientes e trazer soluções e experiências incríveis que vão fortalecer a marca”, finaliza.    

Os negócios durante e pós-pandemia

Covid-19 antecipa mudanças, altera comportamentos e condiciona sobrevivência de empresas à capacidade de inovar e se adaptar ao novo tempo, ainda marcado por incertezas O mundo não é mais o mesmo. O novo coronavírus gerou uma crise global inédita e de efeitos ainda incertos. Em poucas semanas, o mundo sofreu transformações que levariam anos para acontecer, e a principal delas é a ‘virtualização da vida’. A pandemia da Covid-19 antecipou mudanças de comportamento em curso, como o trabalho remoto, educação a distância e compras online. Também está fortalecendo valores como solidariedade e empatia. Na área econômica, os efeitos da crise sanitária são mais catastróficos. Praticamente todos os países sofreram a interrupção da cadeia produtiva, ocasionando drástica redução das demandas em produtos e segmentos. Milhares de empresas fecharam as portas e postos de trabalho foram extintos causando prejuízos incalculáveis até o momento mundo afora. No Brasil, as projeções do Banco Mundial estimam retração do Produto Interno Bruto (PIB) de 5%. Se confirmada, será a maior retração desde 1962. “Ainda é impossível quantificar numericamente os efeitos econômicos, mas seguramente podemos afirmar que são e serão, não somente para economia brasileira, mas mundial, devastadores”, afirma Clodoaldo Oliveira, diretor executivo da JValerio – associada à Fundação Dom Cabral. “Antes de vivenciarmos os efeitos do isolamento social a que estamos sendo submetidos, começamos a sentir os efeitos econômicos, por meio das paralisações na cadeia industrial chinesa, afetando as empresas brasileiras que dependiam da compra e recebimento de insumos de produção chinesa”, completa. Uns mais e outros menos, a certeza é que todos os segmentos estão sendo impactados direta ou indiretamente. Entre os mais afetados estão os setores aéreo, turismo, eventos, academia, automotivo, entre outros. O comércio varejista também está na lista, uma vez que os pequenos empreendedores são responsáveis por uma fatia expressiva do segmento no país, e com o fechamento ou funcionamento parcial, registram queda substancial no faturamento. “Os setores mais impactados são aqueles cujos produtos ou serviços não representam uma necessidade imediata, e isso não se caracteriza como uma situação particular diante da pandemia. Trata-se de algo que ocorre em períodos de crise ou dificuldade econômica, onde os consumidores tendem a ser mais racionais e objetivos em suas compras. No caso da situação que estamos enfrentando ocorre um agravamento, inclusive por conta de restrições de deslocamento e de ocupação do espaço público”, explica o professor de Administração da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e doutor em Ciências Sociais, Francisco Giovanni David Vieira. Os especialistas preveem tempos diferentes de retomada das atividades, tanto durante a pandemia como no pós. O setor de entretenimento - que engloba viagens, cinemas, teatro e eventos – deve ter recuperação lenta e longa em função do receio da população em relação à possível contaminação até que seja descoberta uma vacina. Já alguns que registram forte abalo no momento, poderão ter uma rápida recuperação pós-crise, registrando inclusive momentos de pico no consumo, de acordo com os especialistas. É o caso dos eletrodomésticos, salões e produtos de beleza, confecções, calçados e acessórios em geral. Grandes x pequenos Embora todos estejam sujeitos aos efeitos da pandemia, os especialistas preveem danos maiores às pequenas empresas. Uma pesquisa realizada pelo Sebrae em março constatou que 89% das micro e pequenas empresas brasileiras registraram queda de 69% no faturamento, e 36% dos empreendedores sentiam-se ameaçados de terem de fechar seus negócios permanentemente, caso o isolamento social se estendesse por mais de um mês. Segundo o consultor do Sebrae, Wendell Gussoni, os pequenos negócios têm, em média, caixa para aguentar 23 dias fechados, diferente das grandes empresas que possuem um caixa mais resistente. “Vale lembrar que os pequenos negócios são 99% dos empreendimentos do país e geram mais da metade dos empregos formais, acrescendo a isso o fato de grande parte dos fornecedores das grandes empresas ser de pequeno porte. São empresas que enfrentam mais dificuldades em praticamente todos os sentidos no dia a dia, e em uma situação de pandemia, isso apenas tende a se agravar. Basta mencionar que os pequenos ainda não estão completamente integrados ao universo online e não adotam sistemas de delivery na mesma escala que negócios com operações de maior porte”, menciona Vieira. Mais suscetíveis e sem recursos para criar alternativas, a sobrevivência é um desafio enorme. “Em muitos casos, perder R$ 2 mil de faturamento significa mais que a perda de milhões para as grandes organizações”, compara Oliveira. Manual de sobrevivência Especialistas afirmam que é possível sair da crise sem ‘quebrar’, mas para isso é preciso dinamismo extra e muito planejamento do micro ao grande empresário. O primeiro passo é dimensionar os custos e fazer um planejamento frente ao faturamento atual. Em seguida, é preciso reduzir os gastos supérfluos, tanto na empresa como na vida pessoal. “Aspectos extremamente importantes, mas muitas vezes relegados para um segundo plano, como capital de giro e fluxo de caixa das empresas, precisarão ser observados com mais atenção”, destaca o professor da UEM. Negociações com fornecedores e parceiros para reduções de aluguéis e prazos, assim como com clientes e agentes financeiros para alongar prazos de financiamentos e de entregas são fundamentais. A Federação dos Bancos (Febraban) apresentou a adesão dos cinco maiores bancos do Brasil - Banco do Brasil, Bradesco, Itaú, Santander e Caixa - ao processo de prorrogação, por 60 dias no mínimo, do vencimento de dívidas. “Algumas dessas instituições concedem prazos de prorrogação e taxas de refinanciamento até melhores negociando pontualmente com cada cliente”, diz Oliveira. Outra dica é reavaliar as condições de trabalho de colaboradores. Dá para reduzir custos adotando regime de home office. Já a Medida Provisória 936 estabeleceu possibilidades diretas de renegociação entre empregador e empregados, permitindo redução de jornada e salários por tempo determinado e a suspensão de contratos de trabalho também por um período. Os especialistas orientam ainda ficar atento às linhas de crédito para captação de recursos em condições especiais, com taxas reduzidas e prazos de carência estendidos, seja para financiar folha de pagamento, fortalecer capital de giro e até preparar a empresa para a retomada dos negócios. Também será preciso investir mais em tecnologias de relacionamento com os clientes, sobretudo intensificando a adoção de sistemas inteligentes baseados em plataformas digitais. Sistemas de entrega em domicílio, chamados delivery, e canais de venda online têm sido efetivos às empresas. “Neste momento, a criatividade e inovação serão fundamentais para manutenção das atividades. E não estamos dizendo apenas de algo realmente novo ou que ainda não exista, mas novas formas de fazer o mesmo, seja em produto, serviço, processo e canais ou até um novo modelo de fazer o negócio”. “A maior parte das soluções que uma empresa pode adotar já existe, ou seja, muitas estavam prontas e agora serão adotadas com mais urgência ou terão sua relevância reconhecida”, avalia Vieira. Experiência digital Por causa da pandemia, empresas e clientes tiveram que se adequar e estabelecer novas relações de consumo. Com a recomendação de distanciamento social, o movimento de migração para canais online foi fundamental para os negócios continuarem vendendo. Os consumidores, por sua vez, tiveram o meio digital como única alternativa. “O que temos visto é apenas a intensificação ou uso em larga escala da compra online e do delivery, que são procedimentos de compra e entrega que já existem há mais de duas décadas. Portanto, não são novidade. O que está acontecendo agora é apenas uma espécie de institucionalização do e-commerce e do delivery”, destaca o professor da UEM. Gussoni compartilha da opinião e acredita que essa institucionalização trará mudanças profundas. Segundo ele, os empresários que não enxergavam a internet com bons olhos e tinham resistência em utilizar o meio para vender, mudaram de opinião e agora a veem como uma grande possibilidade de aumentar o faturamento. Entre os aspectos positivos da internet, os especialistas destacam a possibilidade de venda 24 horas, redução de custos com estrutura física e aumento da competitividade em relação a concorrentes maiores, pois um site estruturado, aliado à segurança no processo de compra e confiabilidade na entrega, coloca os pequenos comércios em condições de competir com grandes empresas. Já os consumidores que ainda tinham receio de comprar pela internet tiveram que se render e descobriram vantagens e facilidades. “Da mesma forma, muitas pessoas tiveram seus problemas resolvidos pelo delivery, e isso marcará para sempre seus comportamentos”, prevê o consultor. Um estudo da SmatCommerce, plataforma de comércio eletrônico para produtos embalados, mostra que aproximadamente 40% dos compradores online fizeram sua primeira compra nessa modalidade em março, ou seja, já sob o ‘incentivo’ do isolamento social, em busca de segurança. Jornada do cliente “É importante que os negócios nas plataformas online acompanhem a jornada do cliente, desde a busca até o pagamento para garantir uma experiência positiva”, diz a professora da PUC/PR Juliana Medeiros, doutora em Administração. E as lojas físicas, como ficam neste novo cenário? Para os especialistas, os consumidores devem ir às compras, mas com tendência desse número ser progressivo nesta retomada, pois muitos estão atentos aos cuidados e sairão de casa somente em situações de maiores necessidades. O comportamento também deve ser mais contido no quesito finanças. Apreensão em relação ao emprego, redução da renda familiar, saúde, economia do país e do mundo se manterão fortes ainda por um bom período e devem levar o consumidor a adotar um comportamento ponderado e racional. “O consumidor se utiliza mais da racionalidade para a tomada de decisão, e custo e funcionalidade poderão ter maior peso na determinação da compra. As questões emocionais, simbólicas e psicológicas que envolvem a maioria dos produtos e serviços que consumimos, principalmente quando a compra envolve emoções, influenciarão menos”, ressalta a professora. “Sabemos que por mais que voltemos às atividades a que estávamos acostumados antes da crise, o tema coronavírus ainda não terá sido definitivamente resolvido. Pelo menos até o fim do ano teremos uma recuperação em U, ou seja, lenta, gradativa, proporcional ao sentimento de segurança que os avanços no combate à pandemia e a evolução dos indicadores econômicos proporcionarem”, avalia Oliveira. Francisco Giovanni David Vieira, professor: “o que está acontecendo agora é uma espécie de institucionalização do e-commerce e do delivery” Para a professora Juliana Medeiros, “as questões emocionais, simbólicas e psicológicas que envolvem a maioria dos produtos e serviços que consumimos influenciarão menos” Wendell Gussoni, do Sebrae: pequenos negócios têm, em média, caixa para aguentar 23 dias fechados box: O que esperar? Os especialistas afirmam ser difícil fazer uma projeção sobre os próximos meses diante da incerteza do tempo que será preciso praticar isolamento social. A retomada das atividades deverá ser gradativa e numa velocidade incerta. Eles confiam, no entanto, que o consumo voltará a crescer, mas em ritmo diferente. “A história nos mostra que, em situações de imposição de realidade, ou seja, quando somos obrigados a mudar hábitos, economizar e racionar, muitos desses hábitos permanecem após o período emergencial. Em 2001, por exemplo, quando houve o racionamento de energia elétrica, a população colaborou e economizou. Passada a necessidade de racionar, o consumo nunca mais voltou ao patamar anterior. As pessoas aprenderam a economizar e descobriram que era possível, acima de tudo, reduzir seu gasto nesse campo”, cita Clodoaldo Oliveira, diretor executivo da JValerio – associada à Fundação Dom Cabral. Ele lembra ainda que a sociedade valoriza as empresas que, em momentos de dificuldades como o que estamos vivendo, se posicionam de maneira solidária, oferecendo apoio e contribuindo diretamente para amenizar os impactos da crise. “O posicionamento neste momento deve e precisa ser de solidariedade, apoio e reforço à sociedade nas orientações sanitárias preventivas”, finaliza. “A história nos mostra que, em situações de imposição de realidade, muitos desses hábitos permanecem após o período emergencial”, aponta Clodoaldo Oliveira, diretor executivo da JValerio

Na esteira do isolamento social crescem vendas online

Empresários implantam, com urgência, soluções de comércio eletrônico, enquanto empresas híbridas ou virtuais aproveitam a oportunidade para avançar Adaptar o site para vender cestas de café da manhã foi o primeiro passo da Marco’s Padaria Gourmet rumo ao comércio eletrônico. A iniciativa aconteceu há sete anos, quando a empresária Márcia Aurélia Favoretto Costa Rocha percebeu o potencial do e-commerce para o negócio. Com os bons resultados também decidiu cadastrar itens do cardápio no iFood, um marketplace de delivery. As duas estratégias passaram a representar 6% do faturamento. O passo seguinte veio com os desafios provocados pela pandemia do novo coronavírus. “Um decreto municipal proibiu o atendimento presencial da padaria por algumas semanas. Foi então que os clientes começaram a pedir pela entrega de produtos. Agora retomamos às atividades, mas não podemos permitir o consumo na loja”, cita Márcia. Para contornar a situação, a padaria disponibilizou telefone e WhatsApp, e organizou o serviço de entrega. “Só que o atendimento a distância exige muito tempo e as taxas cobradas pelo marketplace são altas. Por outro lado, estávamos com uma demanda crescente que reforçava a importância de ganhar eficiência, agilidade e escala nas vendas online. Além disso, a expectativa é que o comércio eletrônico permaneça significativo após a pandemia”, avalia Márcia. Diante disso, a empresária contratou com urgência uma empresa para desenvolver um sistema próprio de delivery. “Acrescentamos o mix de produtos no site e integramos um aplicativo. Ainda estamos em fase de implementação e aprendizagem, mas em breve estaremos prontos e estruturados para o universo digital”, garante. Um passo à frente Empresas que estavam com e-commerce mais estruturado atravessaram o isolamento social sem se deparar com a ameaça à sobrevivência do negócio. É o caso da Roberta Peixoto Company, que atua na área de estética e há seis anos ingressou no ambiente digital, tornando-se empresa híbrida por oferecer cursos online, loja virtual, atendimento e treinamentos presenciais. De acordo com o sócio Leonardo Ceccarelli, a mudança do físico para o online ocorreu de forma gradativa e, atualmente, o e-commerce representa 50% do faturamento. “A tendência é aumentar esse percentual, porque nesta pandemia as pessoas experimentaram o ensino a distância e, provavelmente, ficarão mais abertas a usufruir da comodidade do método. Inclusive nas últimas semanas oferecemos cursos online gratuitos para incentivar essa experiência e, neste mês, vamos lançar uma plataforma internacional com cursos em inglês e espanhol”. Como começar? Para auxiliar empresários que almejam ampliar o negócio para o ambiente virtual, o gerente de produtos da AnyMarket, André Sanchez e Silva, sugere como primeiro passo conhecer e escolher os canais adequados para o perfil da empresa e depois fazer uma experiência inicial em marketplace. “Neste tipo de plataforma, as taxas são cobradas só se houver a venda, o que é uma oportunidade para observar o que muda do mundo físico para o online. E quando estiver mais preparado, o empreendedor pode investir em loja própria, afinal, é interessante não depender de um único canal”. Entre os erros comuns dos iniciantes, Silva cita o cálculo financeiro incompleto, porque os custos de uma operação digital são subestimados. “Essa falta de atenção pode levar a prejuízos sérios. Por exemplo, no e-commerce o cliente tem até sete dias para se arrepender da compra e devolver o produto, sem ônus. O custo do estorno tem de ser absorvido pela empresa”, alerta. Outra falha financeira, segundo ele, é supor que o e-commerce é menos custoso do que a loja física. “Os custos são diferentes, mas existem. Claro que dá para ingressar no ambiente virtual com pouco investimento, mas conforme a venda ganha escala, é preciso recursos para se estruturar”, comenta. Outra situação que facilita a incidência de erro é cadastrar produtos em dois ou três marketplaces ao mesmo tempo. “É muito positivo atuar em vários canais, mas a operação fica complexa. Para manter a eficiência da gestão, é importante investir em uma plataforma de gestão para vendas em marketplace, que tem capacidade para gerenciar e integrar cadastros em mais de 30 canais de venda”, orienta. Novos hábitos devem manter crescimento acelerado Na contramão da crise econômica provocada pelas medidas de contenção da pandemia, o comércio eletrônico tem apresentado resultados positivos e perspectiva de crescimento acelerado. Alimentos, bebidas, saúde e higiene pessoal são os segmentos que mais se destacam, com aumento de 180% nas vendas desde 12 de março, segundo a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (Abcomm). O especialista em e-commerce e CEO da ODG Group (Oliver Digital, Anyshop e Shopse), Patrick Alves de Lima, tem constatado aumento de 40% nas vendas online dos clientes. “Durante o isolamento social, os consumidores, inclusive da terceira idade, desfrutaram da comodidade e facilidade de comprar online pela primeira vez e a tendência é que incorporem esse hábito, trazendo perspectiva positiva para os próximos anos”. Lima ressalta que especialistas preveem que a Quarta Revolução Industrial, impulsionada por esse contexto, vai acelerar o processo de transformação digital. “Para ingressar nessa tendência, será fundamental que o empresário busque soluções tecnológicas e se adapte o quanto antes às mudanças de comportamento do consumidor”, reforça. Ele cita que a pesquisa TIC Domicílios, feita pelo Comitê Gestor de Internet no Brasil (CGI.br), indica que o país conta com 126 milhões de usuários, o que significa 70% da população conectada. Apesar do cenário promissor, o especialista diz que estruturar loja online exige tempo e dedicação, porque é preciso executar etapas de adequação: escolher o fornecedor de software (plataforma de e-commerce), cadastrar produtos, contratar profissionais ou agência de marketing digital, estruturar a logística, contratar ou realocar funcionários para atendimento, controlar  estoque, despachar produto, entre outros. “Todo processo de mudança é desafiador, dá trabalho e exige novos conhecimentos. Sem contar que dependendo da complexidade da loja virtual e da qualidade dos serviços dos fornecedores, exigem-se investimentos que podem variar de R$ 1 mil a R$ 70 mil, em média”, explica Lima.

Só delivey

Entrega em domicílio foi um dos poucos serviços que continuou na ativa durante a paralisação das atividades; quem fazia, se aprimorou, e quem não estava habituado, teve que correr contra o tempo Com cinco lojas em Maringá, Bruno Alex da Silva, sócio do Açaí Beat, implantou o serviço de delivery há três anos em três lojas. Até março, as vendas online representavam de 15 a 25% do faturamento, mas de uma hora para outra, praticamente sem aviso prévio, o delivery precisou assumir o protagonismo. Afinal, durante o período de suspensão das atividades econômicas em virtude da pandemia do novo coronavírus, foi praticamente o que restou para centenas de empresas. Desde que começou a trabalhar com entregas, o Açaí Beat usa o aplicativo iFood e foi de lá que veio uma parceria valiosa para o momento de crise. “Antes recebíamos o pagamento do aplicativo 30 dias após a venda, agora em uma semana já recebemos, além disso, a taxa baixou de 22 para 20%”, explica Silva. Com essas medidas, a empresa não precisou recorrer a empréstimos e ainda espera superar o momento com novos clientes. “Passado o susto de ter que suspender as atividades, logo começamos a traçar estratégias para aprimorar a experiência do cliente com o serviço de entrega”, diz. Uma das medidas foi remodelar o cardápio para facilitar a busca do cliente no aplicativo. “Antes tinha muita opção e o usuário acabava se perdendo, agora ficou mais claro e fácil de navegar”, diz. As embalagens também passaram por mudanças: os copos de açaí são lacrados e vão em um suporte de papelão dentro de uma embalagem de papel, além disso, o cliente recebe um sachê de álcool em gel para garantir a higienização das mãos antes do consumo. “Essa medida nos trouxe gasto extra, mas acreditamos que, sobretudo neste momento, é importante para o cliente perceber nosso cuidado”, diz. Com as medidas para estimular o delivery, durante a pandemia a empresa dobrou o número de pedidos online: as entregas correspondem a cerca de 40% do que seria o faturamento habitual. Para o futuro, o empresário quer ampliar o serviço para duas unidades que ficam em shoppings. “Este momento nos fez enxergar que há possibilidade de tornar o delivery mais expressivo e manter a experiência similar a que o cliente tem em nossas lojas físicas”, diz. Coelhinho na porta de casa Para garantir a doçura da Páscoa, para os clientes e para o empreendimento, Bárbara Fonseca, sócia da Kopenhagen, teve que assumir o serviço do coelhinho da Páscoa e ir de casa em casa levando os ovos de chocolate. As lojas que ficam em dois shoppings estavam preparadas para a melhor época do ano do segmento: foram adquiridos 4,5 mil itens que estavam chegando desde fevereiro, mas a suspensão do comércio pegou todo mundo de surpresa e principalmente quem trabalha com itens sazonais, teve que correr contra o tempo para achar uma alternativa. “A solução foi nos adaptarmos rapidamente para fazer entregas, algo que não fazíamos com tanta intensidade”, revela Bárbara. A primeira atitude foi reforçar a presença da marca nas redes sociais e, assim, conquistar clientes. Deu certo, por meio das vendas online e entrega em domicílio à Kopenhagen permaneceu na ativa. “Parte das entregas foi feita por mim e meu marido, que é sócio da empresa, outra parte terceirizamos”, diz ela, acrescentando que vendeu praticamente todo o estoque. Novo app Quando o assunto é terceirizar a entrega, os aplicativos estão ganhando espaço, é o caso do iFood, Aiqfome, Rappi, Uber Eats e o mais recente na cidade: Zepplin idealizado pelo empresário Acimar Rocha, que era gerente de projetos de Tecnologia da Informação. Há oito anos ele atua no setor de gás, mas avaliando dados de comportamento do consumidor, viu uma oportunidade de lançar um aplicativo que fosse além das entregas de comida pronta. “No final de 2019 percebi que o consumidor estava bem habituado com as compras por aplicativo e que muitos veem vantagens em apps que reúnem várias lojas. Foi aí que surgiu a ideia”, diz. O Zepplin é um aplicativo de marketplace que permite que empresas locais de diversos segmentos consigam se modernizar e competir com grandes varejistas. Pela plataforma é possível comprar gás, itens de conveniência, ração, hortifrútis, presentes e muito mais. “É um investimento baixo para o benefício que o aplicativo oferece como fidelização de clientes, atendimento ágil e uma entrega muito mais rápida e barata do que em um e-commerce, por exemplo”, afirma Rocha. Segundo o empresário, com a pandemia do novo coronavírus e a consequente suspensão das atividades econômicas, muitas empresas ficaram paralisadas sem planejar novas estratégias. “Outras, no entanto, nos procuraram, pois enxergaram a tendência do delivery e viram no aplicativo a oportunidade de mudar a rotina das vendas”, diz. As circunstâncias fizeram com que o lançamento do app fosse antecipado para ajudar o maior número possível de consumidores e empreendedores. Em poucos dias, ele fechou 20 contratos com empresas locais para divulgar seus produtos. “Nosso objetivo é oferecer comodidade e segurança neste momento em que as pessoas precisam ficar muito mais tempo em casa”, diz.

Após paralisação, um recomeço com restrição

Depois de semanas fechadas, empresas retomam atividades com limitação de colaboradores e de horários, e seguindo normas de higienização; ACIM está comprando equipamentos para novos leitos de hospitais públicos As últimas semanas têm sido um desafio para empreendedores de todo o Brasil e do mundo. Decretos estaduais e municipais paralisaram milhares de empresas e trabalhadores para que a população fizesse isolamento social e contribuísse com a redução da propagação do novo coronavírus, uma pandemia, segundo a Organização Mundial de Saúde que levou até o final de abril à morte de mais de 230 mil pessoas no mundo. Em Maringá, um decreto municipal paralisou as empresas em 20 de março, permitindo apenas o funcionamento de atividades essenciais, como supermercados, postos de combustíveis e farmácias. A retomada gradual teve início em 13 de abril. Primeiro com indústrias, construção civil e lotéricas, seguindo regras rígidas de higienização e limitação de trabalhadores, de acordo com o porte da empresa. Para a construção civil, por exemplo, foram criados três horários de entrada e três de almoço para evitar aglomeração, ficou estabelecido um trabalhador para cada 20 metros quadrados de obra e nos elevadores só podem circular o operador e outro trabalhador. O tão aguardado retorno do comércio e da prestação de serviços aconteceu em 20 de abril. Segundo o decreto 566/2020, da prefeitura de Maringá, o funcionamento do comércio de rua é de segunda a sexta-feira das 10 às 16 horas, com 30 a 100% da equipe, dependendo do efetivo de trabalhadores da loja. O decreto também permite o funcionamento de prestadores de serviços e de agências bancárias. Outro decreto permitiu a abertura de salões de beleza e barbearias  desde 22 de abril, de terça-feira a sábado das 9 às 17 horas. O funcionamento de hotéis e outros tipos de hospedagem e a realização de feiras livres foram permitidos na mesma publicação. No caso de feiras, é preciso distância mínima de dois metros entre as barracas e há proibição de consumo de produtos no local. Todos os estabelecimentos abertos ao público devem fornecer máscaras e álcool gel 70% para funcionários e disponibilizar álcool para higienização das mãos na entrada. E passou a ser obrigatório o uso de máscara por toda a população ao sair de casa, segundo decretos municipal e estadual. Durante o período em que houve a paralisação das atividades, sindicatos e empresas questionaram na Justiça a medida. Lotéricas, lojas de materiais de construção e de conveniência voltaram a operar, sob liminar. Já os shoppings e academias não tinha sido reabertos até o final do abril, nem por decreto municipal nem estadual. Para se ter uma ideia da abrangência das medidas adotadas pelos governantes do país para reduzir a propagação do coronavírus, segundo a Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), todos os 577 centros de compras do país chegaram a ser fechados e a expectativa da entidade é que a maioria esteja aberta em maio. Em Maringá, até o final de abril, escolas, teatros, cinemas, clubes, associações recreativas e áreas de lazer públicas continuavam fechados. Restaurantes, bares, lanchonetes, carrinhos de lanche e food trucks podem funcionar apenas em drive thru, delivery ou retirada no balcão. Apoio da ACIM A retomada das atividades foi discutida conjuntamente pela prefeitura, secretaria de saúde, ACIM e outras entidades. A liberação do funcionamento da indústria e construção civil foi feita após a apresentação de um estudo com detalhe do perfil dos colaboradores, mapeamento do porte das empresas e uso do transporte coletivo pela equipe. Estudo semelhante foi feito em relação ao comércio e à prestação de serviços. Esses mapeamentos envolveram equipe multidisciplinar, composta por médicos, geógrafos, estatísticos, empresários, lideranças e até uso de programas de geolocalização. No primeiro documento entregue pela ACIM e entidades à prefeitura, em 3 de abril, o cronograma de retorno das atividades estava previsto para o dia 13, o que de fato ocorreu, mas o documento previa um número maior de setores do que o estipulado pelo decreto municipal e também sugeria horário maior de funcionamento do comércio, para diluir o fluxo de consumidores. A proposta trouxe ainda protocolos de alerta da saúde e segurança, com sugestão de medidas para cada estágio, e sugeriu a composição de uma governança com a missão de avaliar os indicadores na cidade, com representantes da rede hospitalar, setor público e setor produtivo. Outra iniciativa da Associação Comercial foi a criação da campanha ‘Todos por Maringá’, para a conscientização da população sobre a adoção de hábitos que ajudam a evitar a propagação do coronavírus. Para isso, foram feitos vídeos e podcast, postados em redes sociais, com dicas de infectologista sobre como usar o transporte coletivo com mais segurança, importância e uso correto de máscaras, cuidados que os trabalhadores devem ter na retomada das atividades comerciais (após período de isolamento social decretado pela prefeitura), cuidados ao chegar em casa após um dia de trabalho, entre outros. Apenas no Facebook os vídeos alcançaram, até o final do mês passado, um número superior a 400 mil pessoas e foram compartilhados mais de 700 vezes. Outra iniciativa foi o envio de máscaras de tecido para influenciadores sociais, que ajudaram a difundir a importância do uso entre a comunidade. Para ajudar as pequenas empresas, a Associação Comercial firmou dois convênios, garantindo empréstimos para capital de giro. A primeira opção é o crédito por meio da Noroeste Garantias, que avaliza operações de até  R$ 100 mil, com taxa de juros de 0,49% ao mês, seis meses de carência e 12 parcelas para pagamento. Todo o processo é feito online pelo www.noroestegarantias.com.br. E a segunda opção é diretamente com o Sicoob, com taxa de juros a partir de 0,56% ao mês, seis meses de carência e outros 12 meses para pagar. O dinheiro vem em boa hora, já que pesquisa feita pela ACIM revela que 73% dos empresários precisam fazer empréstimos para honrar os compromissos financeiros e 4% já tinham recorrido a empréstimo.   Equipamentos para a saúde pública Uma iniciativa da ACIM arrecadou R$ 1,5 milhão para contribuir com a saúde pública de Maringá. A campanha envolveu dezenas de pessoas físicas e jurídicas, além de recursos da própria entidade. Foram adquiridos dez respiradores, dez monitores, 20 oxímetros, 20 armários para instrumentos e medidores de sinais vitais. Esses equipamentos são destinados às novas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) do Hospital Universitário de Maringá (HUM), para tratamento de pacientes da Covid-19. Até o final de abril já tiham chegado cinco carrinhos, 20 oxímetros e dois medidores de sinais vitais. Para o Hospital Municipal, foram comprados dois cufômetros, para a medição e calibração da pressão do cuff do tubo endotraqueal. Segundo a diretora-superintendente do HUM, Elisabete Mitiko Kobayashi, foi preciso criar uma estrutura para atender os pacientes da Covid-19. “Convocamos a sociedade para ajudar, e a ACIM nos deu suporte para abrir de dez a 20 novos leitos de UTI e 30 leitos de retaguarda”, afirma. A entidade também adquiriu 15 mil máscaras N95, suficientes para suprir toda a demanda dos profissionais de saúde durante a pandemia. Para a população e associados, foram distribuídas mais de 50 mil máscaras, sendo que os associados ainda podem fazer a retirada do produto na sede da Associação Comercial.