A história começou de forma simples, ao lado do pai, e se transformou em um dos maiores cases de distribuição do Paraná. Fundador da Arilu Distribuidora, empresa que passou a integrar a Braveo em 2024, Ariovaldo Costa Paulo conduziu os negócios apoiado no compromisso, credibilidade e valorização das pessoas.
Mas sua trajetória não se limitou ao ambiente empresarial. Ao longo de décadas, ocupou posições de liderança em instituições que ajudaram a moldar o desenvolvimento de Maringá, inclusive como presidente da Acim por duas gestões.
Agora, recebeu a maior honraria da Acim: a Comenda Américo Marques Dias. A homenagem ganha um significado especial porque foi criada durante a gestão dele à frente da entidade, fechando um ciclo marcado pelo associativismo, pela visão de futuro e pelo compromisso com o desenvolvimento coletivo.
O senhor começou com uma Kombi ao lado do pai. Qual foi a lição mais importante que orienta suas decisões até hoje?
A principal lição é o valor do compromisso e da palavra empenhada. Nosso maior patrimônio não era o capital financeiro, mas a credibilidade construída com cada cliente, cumprindo o que prometíamos. O sucesso de um negócio não se mede apenas pelo faturamento, e sim pela consistência das relações e pelo respeito a clientes, parceiros e colaboradores. A tecnologia evolui, o mercado muda, mas a ética, o olho no olho e a cultura do trabalho continuam sendo as bases de um legado duradouro.
A Arilu se tornou uma empresa reconhecida nacionalmente. Em que momento percebeu que o negócio precisava deixar de ser uma empresa familiar?
Foi quando entendemos que, para crescer com sustentabilidade, a empresa precisava se apoiar em processos, tecnologia e uma governança sólida. O ponto de virada foi compreender que profissionalizar a gestão não significava afastar a família, mas prepará-la para o futuro. Esse amadurecimento permitiu que meus filhos, André e Suelen, que cresceram dentro da empresa e conhecem profundamente o negócio, assumissem posições de liderança. Hoje, com a gestão profissionalizada e a atuação de um conselho, garantimos a continuidade do legado com eficiência, solidez e os mesmos valores que nos trouxeram até aqui.
Vender a empresa costuma ser uma decisão carregada de emoção. O que pesou mais: razão, oportunidade ou visão de futuro?
É impossível separar a emoção de uma história construída ao lado da minha esposa, Lucinei, dos meus filhos e de tantos colaboradores. Mas o que definiu essa decisão foi a combinação entre razão e visão de futuro. Nunca enxergamos a transação como um ponto final, e sim o início de um novo ciclo. Para continuar crescendo e competir em alto nível, a empresa precisava de uma estrutura mais robusta em tecnologia, gestão e capacidade financeira.
O que representa ver processos da Arilu sendo adotados por outras empresas da Braveo?
É motivo de orgulho, porque valida a inteligência logística e a excelência que construímos. Mas esse aprendizado aconteceu nos dois sentidos. Ao mesmo tempo em que exportamos o nosso modelo de eficiência, absorvemos práticas e inovações de outras empresas da Braveo, enriquecendo nossa operação e acelerando o desenvolvimento do negócio.
Qual foi a principal preocupação ao preparar os filhos para a sucessão?
Minha maior preocupação foi que eles conquistassem a liderança por competência, e não apenas pelo sobrenome. Em muitas empresas familiares, a sucessão falha porque os herdeiros são colocados no topo sem vivenciarem a operação ou se prepararem para o desafio. Com o André e a Suelen, o caminho foi diferente: eles cresceram dentro da empresa, passaram por diferentes áreas e construíram suas trajetórias com mérito. O André se desenvolveu na gestão comercial e executiva de mercado, enquanto a Suelen buscou formação para liderar a comunicação e o desenvolvimento humano.
O senhor presidiu a Acim e o Observatório Social. Quando percebeu que o papel do empresário vai além da empresa?
Nenhuma empresa prospera de forma sustentável em uma comunidade que não evolui. O sucesso de um negócio está diretamente ligado à qualidade das instituições, à transparência e ao desenvolvimento da cidade. A atuação na Acim e no Observatório Social reforçou a convicção de que o empresário também tem responsabilidade na construção desse futuro. Ao dedicar tempo e experiência à sociedade, ajudamos a fortalecer o ambiente de negócios e a criar oportunidades para todos. Esse espírito associativista é uma das grandes forças de Maringá.
Qual o maior ensinamento que a Acim trouxe para a sua vida empresarial?
Quando você está imerso apenas na operação diária, corre o risco de olhar o mercado por uma fresta. Conviver com empresários de diferentes setores ampliou minha visão de mercado e mostrou que os melhores resultados surgem da troca de experiências e da construção conjunta de soluções. Esse aprendizado influenciou diretamente a evolução da Arilu. Ao ver grandes exemplos dentro da associação, entendi a importância de fortalecer a governança, modernizar a gestão e preparar a empresa para novos desafios. A decisão de buscar auditorias externas, implantar comitês e preparar a empresa para o ecossistema de holdings e fundos de investimento foi muito oxigenada por essa vivência.
O que passou pela sua cabeça ao receber a Comenda Américo Marques Dias?
Entendo essa comenda não como um prêmio pessoal, mas como o reconhecimento de uma trajetória coletiva: da minha família, dos nossos colaboradores e dos grandes líderes com quem tive a honra de trabalhar na Acim, no Codem e no Observatório Social.
Muitos empresários medem sucesso pelo faturamento. Aos seus olhos, o que realmente define o sucesso de um empreendedor?
Faturamento e lucro são fundamentais, pois garantem a saúde e o crescimento de qualquer empresa. Mas, com o tempo, percebemos que eles são o meio, não o fim. Acredito que o verdadeiro sucesso de um empreendedor se mede pela capacidade de construir um negócio sólido, perene e preparado para o futuro. É saber que você gerou empregos dignos, formou líderes, contribuiu para o desenvolvimento da cidade e manteve seus valores éticos intactos.
